Germânicos protestaram tapando a boca por veto à braçadeira One Love.


Pouco mais de 24 horas depois da Argentina ser derrotada pela Arábia Saudita, a zebra passeou novamente na Copa do Mundo do Catar. Nesta quarta-feira (23), a tetracampeã mundial Alemanha foi supreendida e perdeu de virada para o Japão, por 2 a 1, no Estádio Internacional Khalifa, em Doha, na abertura do Grupo E.

É o segundo Mundial seguido em que os alemães iniciam a participação com derrota. Na edição anterior, na Rússia, a seleção europeia foi superada pelo México, na primeira rodada, por 1 a 0. Os japoneses, por sua vez, repetiram 2018, quando também largaram com uma vitória por 2 a 1, sobre a Colômbia.

A chave de germânicos e nipônicos ainda conta com Espanha e Costa Rica. O duelo entre os outros integrantes do Grupo E será o próximo desta quarta-feira, a partir de 13h (horário de Brasília), no Estádio Al Thumama, também em Doha.

Os próximos compromissos de Japão e Alemanha serão no domingo (27), pela segunda rodada. Às 7h, os Samurais Azuis pegam a Costa Rica no Estádio Ahmad Bin Ali, em Al Rayyan. No fim do dia, às 16h, os germânicos têm pela frente o clássico com a Espanha, no Estádio Al Bayt, em Al Khor.

Protesto alemão

Antes de a partida começar, os alemães fizeram protestos. Na pose para a foto oficial, após a execução dos hinos nacionais, os jogadores levaram a mão direita à boca. A Alemanha era uma das seleções cujos capitães utilizariam uma braçadeira com a expressão "One Love" ("Um Amor", na tradução do inglês), em apoio à causa LGBTQIA+, mas que foram pressionadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) a recuarem. A homossexualidade é proibida no país-sede da Copa.

O goleiro Manuel Neuer, capitão alemão, ainda tentou escondeu a braçadeira que utilizava, disponibilizada pela Fifa. Em entrevista coletiva no sábado (18), o presidente da federação germânica, Bernd Neuendorf, reclamou da entidade responsável pelo Mundial pedir "foco no futebol" a quem pretendia se manifestar contra denúncias de violações a direitos humanos no Catar.

Pressão germânica

Com a bola rolando, o Japão repetiu a estratégia de outras seleções franco atiradoras nesta Copa, como Arábia Saudita, Tunísia ou Marrocos, iniciando o jogo com a marcação alta para encurtar os espaços alemães. O gol de Daizen Maeda, aos seis minutos, anulado por estar um pouco à frente da zaga no momento do cruzamento do também atacante Junya Ito, pela direita, assustou os tetracampeões mundiais.

Não demorou, porém, para a Alemanha encaixar a troca de passes mais acelerada e envolver os japoneses, marcando presença com frequência no campo ofensivo e desenvolvendo os ataques pelos lados. Aos 15 minutos, o zagueiro Antonio Rüdiger cabeceou rente à trave esquerda, com perigo. Quatro minutos depois, o volante Joshua Kimmich soltou a bomba da entrada da área e obrigou o goleiro Shuichi Gonda a se esticar para evitar o gol. Aos 27, na sequência de boa tabela germânica, o volante Ilkay Gündogan bateu da meia-lua, mas o chute saiu no meio do gol e facilitou a defesa de Gonda.

O gol estava amadurecido. Aos 30 minutos, o lateral David Raum foi lançado por Kimmich na área, pela esquerda, sendo derrubado por Gonda. A penalidade foi assinalada e Gündogan deslocou o goleiro na cobrança para abrir o marcador. Os alemães balançaram as redes novamente nos acréscimos, antes do intervalo, com Kai Havertz, mas o lance foi anulado. O árbitro de vídeo (VAR) viu impedimento do camisa 7, que desviou um chute cruzado do também atacante Serge Gnabry.

Quem não faz, leva

A Alemanha manteve o ritmo na volta do intervalo e quase ampliou aos cinco minutos - no que seria um golaço de Jamal Musiala. O meia de 19 anos avançou pela esquerda, passou por cinco marcadores ao invadir a área e levou para a perna direita, mas a batida saiu muito alta. Aos 14, foi a vez de Gündogan ficar no quase, ao receber na entrada da área e chutar rasteiro, na trave esquerda. Dez minutos depois, Gonda efetuou quatro incríveis defesas em sequência, a última delas em uma cabeçada de Gnabry, no cantinho esquerdo.

Eis que a velha máxima "quem não faz, toma" se fez presente em Doha. Aos poucos, o Japão foi encontrando espaços e as substituições do técnico Hajime Moriyasu deram mais mobilidade à equipe. Aos 27, o meia Wataru Endo avançou pela esquerda e encontrou Ito na área. O atacante bateu e obrigou Neuer a uma boa defesa. No rebote, Hiroki Sakai (atuando como ponta direita após a entrada do também lateral Takehiro Tomiyasu), próximo à trave direita, concluiu para fora.

Na oportunidade seguinte, os asiáticos não desperdiçaram, com participação de três jogadores que saíram do banco. Aos 30, novamente pela esquerda, o atacante Takumi Minamino recebeu de Kaoru Mitoma, entrou na área e bateu. Neuer defendeu, mas, desta vez, a sobra foi aproveitada e o também meia Ritsu Doan (que, ironicamente, atua no alemão Freiburg) mandou para a rede.

A virada dos Samurais saiu aos 37 minutos, outra vez com a jogada começando pelos lados, agora o direito. O atacante Takuma Asano, mais um que começou a partida na reserva, foi lançado às costas da marcação, entrou na área e soltou a bomba na saída de Neuer. Os alemães se lançaram ao ataque, tentando compensar as oportunidades desperdiçadas, mas o desespero bateu, para festa da torcida japonesa em Doha.

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